quinta-feira, 11 de novembro de 2010

só um comentariozinho....

                                      Comentário sobre o conto “Amor”, de Clarice Lispector
Enfocando a temática feminina e na intenção de pensarmos mais profundamente nos vários papéis que a mulher exerce, e como exerce, em sua natureza multifacetada, a Suely está postando uma trilogia de Clarice Lispector.

Nesse post, temos o conto Amor.
E eu... eu me descabelo! rsrsrs... Por quê? Porque os textos de Clarice são tão absurdamente ricos, e já falam tanto, que me parecem prescindir de comentário. É ler, se deixar tocar, se emocionar, e pronto. Pra que mais? Por instantes me deixo dominar por uma sensação de inutilidade total...

Mas aí há o paradoxo: não é preciso escrever mais nada, mas se quiser fazê-lo, cada conto poderia render um livro. Ainda mais que cada situação que ela coloca, cada sentimento que descreve, me reportam aos estudos de Clarissa, de Mulheres que Correm com os Lobos. As ligações são diretas, é inevitável.
Me ocorre que se as personagens de Clarice tivessem a oportunidade de ler os estudos de Clarissa, suas angústias seriam tão menores...

Opto por não escrever o livro, que, afinal, não caberia no blog, rsrsrs... e por comentar aquilo que, de pronto, mais me toca. Mas, faço isso na esperança de que nossos leitores se envolvam e aceitem nosso post e meu comentário como provocação para que se manifestem. Como aconteceu no post anterior, A Fuga, em que recebemos comentários riquíssimos, que agregaram imenso valor ao trabalho. Queremos agradecer demais pela participação dos que se envolveram.

Antes de partir para o comentário em si, quero dizer que estamos falando sobre situações femininas, mas não estamos falando só para mulheres, nem só de mulheres. Qualquer homem que vier a ler esse conto e este comentário poderá se enxergar em alguns momentos da vida. Todo homem também tem o feminino dentro de si. E questões da alma sempre me parecem acima das questões de gênero. Basta ler com os olhos da emoção.
               

                                          Vamos lá!                                             
Li, e reli, e reli, e o que mais grita, para mim, em Ana, a personagem do conto, é o medo da exuberância da vida.
Quando jovens, e nos descobrindo, muitas vezes nos assustamos ao perceber essa exuberância. Há tanto para ser vivido, tanto para se aprender, tanto a se fazer, tanta gente pra se conhecer, tanto prazer pra se sentir, que não raro nos percebemos nessa exaltação perturbada, nessa felicidade insuportável... O que fazer de nós mesmos?


Não sei exatamente que mecanismos externos ou internos nos fazem temer uma vida vivida em sua plenitude. Pais rígidos ou castradores, o envolvimento em alguma religião limitadora, escolas que funcionam mais como quartéis do que como estímulos para nosso crescimento, amigos preconceituosos, experiências que nos traumatizam por um ou outro motivo... regras que não nos servem, mas que somos treinados a obedecer desde o berço...
Não sei. Sei que nascemos livres e há um enorme empenho do meio para que acreditemos que, se vivermos nossa liberdade, nos perderemos em algum ponto do caminho.

Assim, Ana se refugia numa vida regrada. Que lhe parece configurar uma vida de adulto.
Um lar e a responsabilidade real de cuidar do marido e dos filhos parece dar sentido à vida. Disciplina, rotina, dedicação constantes a colocam no prumo.
Amar, casar, ter filhos e dedicar-se profundamente a eles faz parte da natureza feminina. Seguir algumas regras que nos servem, ter rotina e disciplina podem ser atitudes extremamente saudáveis. Viver isso tudo
nos faz crescer, florescer, amadurecer.

Mas fazer do casamento, da criação de filhos, e da obediência a regras e disciplinas rígidas um escudo para se proteger da riqueza do mundo e da vida acaba, inevitavelmente, em crise.
Cria-se um mundo ideal, redondinho como uma linda gema de um ovo saudável. Bonita, brilhante, encapsulada numa película protetora que, às vezes, nos ilude simulando enorme resistência.
Enquanto todos precisam dela e aquela hora perigosa não chega, Ana se sente segura. Mas quando as árvores que plantou começam a rir dela, há inquietação no ar.Embora queira adiar a crise, insistindo em cuidar da família à sua revelia, algo inusitado abre um portal que leva à sua alma, e a gema se quebra. Escorre, gosmenta, suja tudo, provoca confusão e constrangimento.
Quando vivemos em função do meio e viramos as costas para nós mesmos, um sentimento inusitado às vezes faz isso. Abre as portas para nossa alma. São as situações iluminadoras. Uma lembrança de infância, um som, um cheiro... e de repente nos deparamos com nós mesmos. Ana viu um cego mascando chicles, e o rompante de amor que sentiu a iluminou e a colocou em contato direto com sua alma. E o que viu?
Em Mulheres que Correm com os Lobos, Clarissa Pinkola Estés faz uma linda comparação entre o deserto e algumas mulheres. Ela diz que embora o deserto seja árido na superfície, sob ela há uma vida riquíssima, prestes a explodir a um menor sinal de água. Toda mulher tem, dentro de si, sua versão primeva, que se mantém íntegra independentemente do quanto tenha sido maltratada pelo meio externo.
Ana viu sua versão primeva, seu subterrâneo fértil. Que susto!
O contato com o divino nela parece ter provocado uma ruptura com as leis externas que até então pareciam norteá-la. E o que vem a seguir é semelhante a uma crise de labirintite, tal a intensidade do sentimento. Ana se assusta, fica tonta, e acaba por mergulhar no Jardim Botânico, um espaço de absurda riqueza, fertilidade, exuberância, que a faz perceber o quanto a vida asséptica pela qual optara era limitadora. E, a partir daí, um mundo de sensações a faz sentir-se invadida pela pior vontade de viver.

E, por que pior vontade de viver? A impressão que tenho é a de que Ana está tão afastada de seus anseios mais íntimos que o contato com tudo que é selvagem em si mesma a aterroriza e lhe parece negativo e sujo. Sente fascínio, nojo, medo, tudo tão intensamente que se apavora.
Volta pra casa, abraça o filho e sente medo de esquecê-lo, tão possuída está pela sede de viver.

A cena de Ana abraçando o filho e pedindo-lhe que não a deixe esquecê-lo me reportou aos meus próprios temores, quando, depois de longos períodos de amamentação e dedicação exclusiva aos meus filhos, em que me sentia a mulher mais feliz do mundo, começava a perceber a vida lá fora piscando pra mim. Creio que quase todas as mães passem por isso. Uma imensa vontade de voltar a viver algo que não só a maternidade, mas uma imensa culpa, por imaginarmos que deveríamos ser só mães, e nos sentirmos plenamente felizes com isso. De onde tiramos isso???

O contato com sua alma a rejuvenescera.

Ana, temerosa, talvez queira voltar ao conforto da segurança forjada em detrimento da felicidade: pede ao filho que não a deixe esquecê-lo, e permite que o marido a afaste novamente do perigo de viver.

Afinal, por que tememos a liberdade, e por que consideramos que viver plenamente pode ser perigoso?

Vejo como vida de adulto não aquela em que estabelecemos regras para nos obrigarmos a cumpri-las, e não sairmos da linha, mas aquela em que não tememos usar a liberdade a nosso favor, para crescermos continuamente, experimentando o novo e conscientes de que podemos sobreviver a tudo.

Uma das coisas mais bonitas que escutei nos últimos tempos veio de um amigo, que tem me ensinado muito. Dizendo-lhe da imensidão de sentimentos que me acomete às vezes, e confessando-lhe não saber o que fazer com isso, ele me respondeu que não me assustasse, que apenas precisava apertar uns parafusos na minha cabeça... rsrsrs...
Tamanha demonstração de aceitação vindo da parte dele me ajudou a aceitar meus próprios sentimentos. E é a partir da auto-aceitação que nos reorganizamos e partimos pra vida, sem medo de ser feliz. Mas, para que nos aceitemos, é preciso que estejamos em contato permanente com nossa alma, e consigamos manter com ela saudáveis diálogos esclarecedores.
Ana Lúcia Sorrentino

domingo, 7 de novembro de 2010

o tirano doméstico...




Por Stella Florence*

Não são apenas os políticos e executivos que se digladiam pelo poder mundo afora; há uma espécie de homem, infelizmente muito comum, que açoita as mulheres na intimidade do lar. Eu estou falando dos tiranos domésticos.

A sede de poder do tirano doméstico é imensa e, por não ter como saciar essa sede fora de casa, por lhe faltar comandados, cargos importantes, honrarias, ele centraliza seus desmandos na única pessoa que o acompanha na jornada: sua mulher.
Essa mulher arruma as roupas dele com carinho, prepara a comida que ele deseja, o coloca como prioridade em sua vida, se doa incondicionalmente, mas nunca nada do que ela faça é o bastante.
O tirano doméstico precisa beber o sangue do medo e da humilhação todos os dias, ele precisa acuar, precisa dar broncas e para fazer isso alguém tem de errar. E se ninguém erra? Os erros então serão criados pela cabeça dele.

É aí que encontramos essa mulher sentada na cama em total abandono, com lágrimas abrindo veios na pele seca por onde muitas outras irão escorrer. É aí que ela se vê sob a mira de acusações quanto ao tempero da carne, a conta de telefone ou qualquer outro assunto que será deturpado por ele, sempre, com o objetivo de diminuí-la.
Esse homem até diz amar sua mulher, mas o tirano doméstico ama apenas uma coisa: o poder. Uma vez tendo feito com que ela caia nas suas garras, ele passa a ameaçá-la. A todo momento, ele acena com a possibilidade de abandoná-la (abandono, o maior receio feminino) e essa mulher, apavorada, cede a tudo, inclusive ao que nem é culpa dela. Quanto mais ela cede, porém, mais vê que a sede de poder do tirano doméstico é insaciável.

Dizem os especialistas da mente que esse tipo de homem tem raiva da mulher com quem se casa, que ele vê nela uma pessoa superior e que, não suportando o sentimento de inferioridade, faz de tudo para diminuí-la, para submetê-la, para subjugá-la. Ele tenta arrastar essa mulher para o mesquinho ambiente mental em que ele vive e, infelizmente, consegue. Já vi mulheres inteligentes, bonitas, competentes, criativas que se enredaram de tal maneira nas garras do seu tirano doméstico que hoje não acreditam mais nas suas próprias potencialidades e se arrastam pela vida como esquilinhos assustados.
Há solução? Só uma: se afastar desse tipo de homem. Às vezes não é possível um afastamento físico, mas um psíquico e espiritual é. Essa mulher pode partilhar o mesmo teto e respirar uma atmosfera interna totalmente livre e desconectada dele. Não é fácil, não é o ideal, mas às vezes é tudo o que se pode fazer.

cuide-se


De nome complexo, o desejo sexual hipoativo é a disfunção sexual mais conhecida entre as brasileiras. Uma em cada dez mulheres sofrem com essa diminuição ou ausência de interesse sexual, que se caracteriza por ser persistente por mais de 6 meses. De acordo com o sexólogo Gerson Lopes, os motivos que levam à redução do desejo são muitos. "No consultório, eu já vi até 21 causas psicológicas diferentes. Entre as mais comuns estão problemas de competitividade entre os pares, indiferença e descoberta de infidelidade", cita.

Apesar do que se acredita, a menopausa não é um gatilho para o DSH. "A queda na libido, assim como sudorese e calores, causados por uma deficiência hormonal, são sintomas de menopausa, mas não é o caso", completa o especialista. Outras situações de queda de desejo que podem ser confundidas com DSH são o baixo nível de estrógeno e o hipotireoidismo. Pesquisas recentes mostram ainda que o desequilíbrio de neurotransmissores, como a dopamina, a noradrenalina e serotonina, pode causar um aumento de substâncias inibitórias ou uma diminuição de substâncias excitatórias, resultando na diminuição do desejo.

A psiquiatra e professora da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP) Carmita Abdo explica que há dois tipos de DSH: primário e secundário. Na primeira opção, segundo a médica, "identifica-se que, desde o início da vida sexual, a mulher nunca teve o desejo considerado satisfatório". Em outros casos, a mulher tinha sua sexualidade saudável e algo mudou essa condição. "Elas não conseguem perceber o momento em que desenvolveram essa perda da libido. A maioria tenta argumentar em razão da rotina e cansaço. Porém, essa situação atinge cerca de 10% das mulheres, as outras também tem um dia a dia agitado, mas nem por isso perdem o interesse sexual. Por isso, não considero esses motivos convincentes", ressalta.

E agora?

Procurar ajuda profissional é a melhor solução. Para o sexólogo, cada vez mais mulheres buscam orientações ao perceberem que têm algum problema. "Elas não só conversam com o médico sobre as dificuldades como também sobre os problemas dos parceiros", acrescenta Gerson. Mas essa é uma atitude muito recente. As gerações anteriores simplesmente ignoravam o problema - e por consequência tinham uma vida sexual insatisfatória. A psiquiatra Carmita exemplifica essa situação falando sobre o Projeto Sexualidade do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas(SP), do qual ela é fundadora e coordenadora:

"No início dos anos 1990, no grupo de estudos sobre sexualidade, a procura de pacientes era de sete homens para cada mulher. Hoje é de dois homens para cada mulher, e essa diferença não acontece por que a procura masculina diminuiu, mas por que a feminina aumentou. Elas entendiam o sexo como reprodução, apenas. Hoje estão mais interessadas no seu prazer."

Cuide-se

Diagnosticado o problema, é hora de combatê-lo. O tratamento é feito com psicoterapia, cujos resultados não são imediatos, e às vezes pode ser complementada com o uso de antidepressivos dopaminérgicos, que, ao contrário dos outros medicamentos da categoria, não diminuem o desejo. Existe também a terapia sexual, que é focada no desempenho. Durante as sessões, que ocorrem durante 4 ou 5 meses em média, são levantados os elementos que estariam causando a dificuldade no interesse sexual, como bloqueios e limitações. "É uma reestruturação da sexualidade feita de forma bastante incisiva e direta.

Às vezes, o problema está em mitos, preconceitos e tabus em relação ao sexo que a mulher tem e, uma vez superados, rapidamente começa a ser mostrada outra disponibilidade em relação ao sexo", ensina Carmita.

aprenda a dizer NÃOOOOOO

As mulheres são educadas para serem boazinhas. Deixamos de lado a insatisfação, engolimos em seco a indignação, calamos o desejo, deixamos para depois nossas necessidades, tudo por acreditarmos que o que mais importa é a aprovação do outro. Um primeiro erro está em acreditar que a aprovação é pagamento garantido por todos os nossos sacrifícios. Na maioria das vezes, nem se é reconhecida, não é verdade? Aí vira um ciclo vicioso, fica-se cada vez mais boazinha para receber esse olhar do outro que não chega. Outro erro é o de apostar que uma aprovação que se baseia na negação de quem somos é uma verdadeira aprovação à nossa pessoa. O outro no máximo está aprovando a nossa máscara, já que não demonstramos o que de fato sentimos e pensamos a respeito das situações que vivemos.

Não é simples se libertar de um processo tão complexo de aprendizado de anos e anos de trajetória de vida. Dá um frio na barriga dizer "não", o medo da rejeição parece engolir você por inteiro e a sensação de culpa pode ser enorme. Criamos fantasias sobre a realidade que acreditamos verdadeiras, temos imagens de qual será a reação do outro diante da negação e o quão desastroso isso será... E aí, fica difícil dar o primeiro passo. Mas e se pudermos olhar a questão sob outro ângulo?

Deixe o novo fluir


Desafiar nossos velhos padrões pode ser difícil de início, mas é um exercício muito compensador. A cada novo passo nos fortalecemos e geramos um ciclo virtuoso (e não vicioso), onde cada pequena vitória nos dá mais ânimo para o passo seguinte. Experimente dizer não às pequenas coisas que lhe desgastam. Diga não à programação que não lhe agrada, abandone o sapato que lhe machuca, deixe de lado a vergonha e procure aquela atividade que você gostaria de iniciar, diga não ao pensamento de inferioridade.

É preciso tornar-se consciente de si mesma para conseguir escolher a que se deve dizer sim ou não. Autoconhecimento é essencial. Além disso, é preciso assumir que a vida é feita de perdas e ganhos, nunca agradaremos a todos os envolvidos de qualquer forma. Para manter um "não", você necessitará de firmeza e tal firmeza vem da autoestima e do vigor de se sentir merecedora. Resgate seu poder pessoal!

Um "não" pode significar uma abertura para outra perspectiva de vida, para uma autenticidade nas relações. Não estamos aqui incentivando ao "não" puro e simples, só para afrontar ou algo assim. Estamos, sim, incentivando você a analisar mais profundamente o que deseja para sua vida.   Juliana Gomes  

Contempla ao Senhor, mulher...

Mulher, o Senhor nos escolheu igualmente, qdo clamar....Ele vem pra te salvar!
http://www.youtube.com/watch?v=UJUZf01M0xw&feature=related

Chamam-me: Carvalho de Justiça.

Mulher, creia, nada mais importa que sejamos, senão,
                     "carvalho de Justiça"

http://www.youtube.com/watch?v=1JMi6dN-oL4&feature=related